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  • Foto do escritorPredativa Controle Biológico de Pragas

TRICHOGRAMMA - UMA REVISÃO PARA CRIAÇÃO EM BIOFÁBRICAS


 


A tendência crescente em reduzir o uso de produtos químicos-sintéticos na agricultura, considerando principalmente seus impactos sobre o ambiente e a saúde do consumidor, tem impulsionado a utilização de técnicas de controle que preservem e incrementem fatores de mortalidade natural de pragas agrícolas por meio da utilização de agentes de controle biológico, que por sua vez, depende intimamente da sua produção em massa. Este cenário tem motivado vários empresários a investir nesse ramo do agronegócio nos últimos anos, favorecendo a expansão da indústria de biocontrole. Atualmente, mais de 125 espécies de inimigos naturais são produzidas e comercializadas por biofábricas em todo mundo. No Brasil, há poucas empresas privadas atuando no ramo do biocontrole, a comercialização ocorre em pequena escala, e constantemente está relacionada a pesquisas em universidades e órgãos governamentais. A redução do custo de criação desses agentes através do aperfeiçoamento nas técnicas de produção e do aumento da sua eficácia em campo é um desafio, que torna imprescindível a implantação do controle de qualidade nas criações de inimigos naturais. Neste contexto, este e-Book consiste numa revisão das principais informações sobre os parasitóides de ovos Trichogramma sp., que têm se mostrado uma ferramenta promissora de controle biológico e estão sendo utilizados em todo o mundo devido a sua ampla distribuição geográfica, alta especialização e eficiência no controle de muitas espécies de lepidópteros. O objetivo deste e-Book é apresentar informações relevantes de forma objetiva para facilitar e incentivar a criação destes importantes inimigos naturais em biofábricas.


 

TRICHOGRAMMA: ASPECTOS GERAIS


Taxonomia


Trichogramma (Hymenoptera: Trichogrammatidae) é um gênero de insetos parasitoides de ovos que apresentam ampla distribuição geográfica e estão entre os inimigos naturais mais estudados e utilizados mundialmente. São considerados microimenópteros, devido seu tamanho reduzido, com cerca de 0,2 a 1,5 mm de comprimento. O gênero conta com aproximadamente 210 espécies descritas, destas, 28 espécies foram registradas no Brasil, sendo considerado o país com maior número de registros (SILVA, 2002; PRATISSOLI et al., 2003; QUERINO; ZUCCHI, 2003; PINTO, 2006; VIEIRA, 2011; VASCONCELOS, 2012).


Ciclo Biológico


São holometábolos com vida livre na fase adulta, entretanto são endoparasitoides obrigatórios de ovos de outros insetos durante seu desenvolvimento embrionário, larval e pupal, e consequentemente eliminam o hospedeiro (VASCONCELOS, 2012). Apesar da preferência por ovos da ordem Lepidoptera, apresentam grande número de hospedeiros naturais, sendo relatados parasitando mais de 200 hospedeiros, pertencentes a mais de 70 famílias e 8 ordens (POLANCZYK et al., 2006; PASTORI, 2007; PRATISSOLI et al., 2010). A duração média de seu ciclo de vida é de 8 a 10 dias, iniciando-se pela postura e desenvolvimento dos ovos até a emergência dos adultos (KNUTSON, 1998; CRUZ; FIGUEIREDO; MATOSO, 1999; ALENCAR et al., 2000; BESERRA; PARRA, 2004). Sua reprodução pode ocorrer por partenogênese telítoca, na qual são produzidas apenas fêmeas, ou arrenotoquia, na qual os ovos não fertilizados produzem machos haploides e os fertilizados produzem fêmeas TRICHOGRAMMA | 8 H I S T Ó R I C O diploides. Assim, o acasalamento é facultativo, contudo do ponto de vista do controle biológico, o surgimento de novas fêmeas nas gerações posteriores aumentam a eficiência dos insetos liberados. Salienta-se que a telitoquia pode ocorrer de forma irreversível ou reversível quando associada à infecção microbiana, por bactérias do gênero Wolbachia, sendo que sem infecção a linhagem volta a apresentar arrenotoquia (ALMEIDA, 1996, ALMEIDA; CIOCIOLA Jr; STOUTHAMER, 2001, CIOCIOLA Jr. et al., 2001; VASCONCELOS, 2012; COSTA, 2013).


Uso no controle biológico de pragas


Para o sucesso de um programa de controle biológico com Trichogramma, é fundamental entender sua biologia, bem como compreender mecanismos e fatores que interferem no seu comportamento de parasitismo afim de identificar situações onde a liberação do parasitóide terá impacto sobre a população praga (THOMSON; STINNER,1990). Ressalta-se que o sucesso ou fracasso dos programas de controle biológico com Trichogramma estão relacionados a diversos fatores, tais como a associação da espécie ao hospedeiro-alvo e aos parâmetros biológicos do parasitoide (DAMASCENA et al., 2021; PRATISSOLI et al., 2021). Dentre os parâmetros, cita-se a capacidade e viabilidade do parasitismo, razão sexual, duração do ciclo biológico e longevidade. Salienta-se ainda que essas características podem ser significativamente influenciadas por fatores bióticos e, especialmente, abióticos (ALENCAR et al.; 2000; PASTORI, 2007; PRATISSOLI et al., 2021;). Conforme Pastori (2007) e Zart e colaboradores (2012) discutem, as condições físicas, como umidade, luz e, principalmente, temperatura, devem ser considerados tanto para a multiplicação em laboratório quanto para a utilização no campo. Desta forma, a eficiencia de um programa de controle biológico com Trichogramma depende da seleção de uma espécie e linhagem do parasitóide que controle mais eficientemente a praga alvo e que melhor se adapte à cultura e às condições climáticas da região onde serão liberadas. Assim, o uso de uma linhagem local pode ser mais benéfico em relação a uma importada porque a mesma é mais adaptada ao ambiente da região (HASSAN, 1997; BORBA et al. 2006).

Recomenda-se a realição de uma avaliação pré introdutória que abrange a coleta, identificação, seleção das melhores espécies e/ou linhagens adaptadas à região onde se pretende implantar o programa. O desenvolvimento de uma metodologia de criação, conhecimento das exigências térmicas e hídricas, seletividade de agroquímicos, técnicas de liberação com avaliação da eficiência e estudos de modelos referentes à dinâmica do parasitoide e da praga-alvo no campo são fundamentais (PARRA et al., 1987; PARRA et al., 2002; PRATISSOLI et al., 2002; QUERINO; SILVA; ZUCCHI, 2016). Salienta-se que erros decorrentes de uma avaliação equivocada ou falta de conhecimento de itens relevantes podem comprometer a eficiência esperada na aplicação, desta forma requerem maior atenção os seguintes fatores: (1) densidade de ovos da praga alvo; (2) espécies de Trichogramma inadequadas para o controle da praga alvo; (3) controle de qualidade do parasitoide produzido; (4) número de parasitoides liberados e forma de liberação; (5) dinâmica de pragas e fenologia da planta; (6) competição com outros agentes de controle biológico; (7) efeito de produtos químicos (seletividade) sobre Trichogramma em culturas onde ocorreram várias pragas (PARRA et al. 2002; PARRA; ZUCCHI, 2004).


REFERÊNCIAS


ALENCAR, J. A. de; HAJI, F. N. P.; OLIVEIRA, J. V. de; MOREIRA, A. N. Biologia de Trichogramma pretiosum Riley em ovos de Sitotroga cerealella (Olivier). Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 35, n. 8, p. 1669-1674, ago. 2000.


ALMEIDA, R. P. Biotecnologia de produção massal de Trichogramma spp. através do hospedeiro alternativo Sitotroga cerealella. Campina Grande, EMBRAPA – CNPA, 36 p., 1996.


ALMEIDA, R. P. de; SILVA, C. A. D. da; MEDEIROS, M. B. de. Biotecnologia de produção massal e manejo de Trichogramma para o controle biológico de pragas. Campina Grande: EMBRAPA-CNPA, 1998.


ALMEIDA, R. P.; CIOCIOLA JÚNIOR, A. C.; STOUTHAMER, R. Wolbachia-induced parthenogenesis: the first report in a Brazilian Trichogramma pretiosum population. In: Annual Meeting of Entomologists in the Netherlands. Proceedings of the Section Experimental and Applied Entomology of the Netherlands Entomological Society, v. 12, p. 41-44, 2001.


BERTI, J.; MARCANO, R. Efecto del tempo de ausencia del hospedeiro sobre el parasitismo POF Trichogramma pretiosum Riley (Hymenoptera; Trichogrammatidae), Boletin de Entomologia Venezolana, v. 6, n. 1, p. 5- 10, 1991.


BESERRA, E. B. Biologia, etologia e capacidade de parasitismo de Trichogramma spp. visando ao controle biológico de Spodoptera frugiperda (J. E. Smith, 1797). Tese (Doutorado em Ciências) - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, p. 132. 2000.


BESERRA, E. B.; PARRA, J. R. P. Biologia e parasitismo de Trichogramma atopovirilia Oatman & Platner e Trichogramma pretiosum Riley (Hymenoptera, Trichogrammatidae) em ovos de Spodoptera frugiperda (J.E. Smith) (Lepidoptera, Noctuidae). Revista Brasileira de Entomologia, v. 48, n.1, p.119-126, 2004.


BORBA, R. da S.; GARCIA, M. S.; KOVALESKI, A.; COMIOTTO, A.; CARDOSO, R. L. Biologia e exigências térmicas de Trichogramma pretiosum Riley (Hymenoptera: Trichogrammatidae) sobre ovos de Bonagota cranaodes (Meyrick) (Lepidoptera: Tortricidae). Ciência Rural, Santa Maria, v.36, n.5, p.1345-1352, 2006.


BUENO, R. C. O. F.; BUENO, A. F.; XAVIER, M. F. C. Influência da estocagem de ovos de Anagasta kuehniella no parasitismo de Trichogramma pretiosum. In.: 12º SICONBIOL, Simpósio de Controle Biológico, 18-21 de jul. 2011. p. 345, 2011.


CIOCIOLA JÚNIOR, A. C.; ALMEIDA, R. P.; ZUCCHI, R. A.; STOUTHAMER, R. Detecção de Wolbachia em uma população telitoca de Trichogramma atopovirilia atman & Platner (Hymenoptera: Trichogrammatidae) via PCR com o Primer especifico wsp. Neotropical Entomology, v. 30, p. 489-401, 2001.


COSTA, M. A. Toxicidade de produtos fitossanitários utilizados na cultura de cana-deaçúcar para Trichogramma galloi (Hymenoptera: Trichogrammatidae). Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2013.

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